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Aço chinês expõe desafios da indústria siderúrgica no mundo

Delfim Netto (*)

9 de março de 2017

Diante da ilusão criada pelo movimento de globalização, que anunciava a morte dos Estados e a perspectiva da paz universal, a Grã-Bretanha permitiu a migração de toda a sua indústria siderúrgica. Hoje, diante dos fatos, deve estar arrependida. Nada está mais longe do que a “paz universal”!

Com Trump, Putin, Xi Jinping e o que promete o futuro eleitoral da Europa, a probabilidade de um conflito de proporções catastróficas deveria estar no seu radar (iluminado pelo Brexit). Se ele ocorrer, ela não produzirá mais os “Spitfires” que a salvaram de Hitler…

Temos insistido que a siderurgia é fundamental para a sobrevivência de qualquer nação. É ela que proporciona as necessárias autonomias alimentar, energética e militar, mas tem merecido pouca atenção do nosso governo. Começamos a assistir a um processo de concentração propício à cartelização.

O fator de perturbação do mercado mundial do aço é a China, com mais de 400 milhões de toneladas de capacidade ociosa. Não sendo uma economia de mercado, seus preços são “políticos” e servem à sua aparentemente mansa “realpolitik”!

Nos anos 2000 o governo alemão aumentou a regulação do setor siderúrgico para reduzir a poluição e aumentou a regulação do mercado de trabalho, o que reduziu a competitividade da sua siderurgia. O grupo Thyssen-Krup decidiu fechar parte de suas unidades e as colocou à venda como sucata! Pelo cálculo dos alemães, a desmontagem levaria três anos. Os chineses compraram e desmontaram tudo em um ano! Transferiram as de Dortmund para Junfeng, onde o salário horário era de U$ 0,50 (então um infinitésimo diante do salário alemão) e não havia nem regulação trabalhista nem controle de poluição, ou seja, essas externalidades não estariam no preço.

Hoje a produção de Jinfeng está incorporada à economia chinesa e o baixo valor do seu aço é insumo de outros setores. Propaga uma aparente eficiência produtiva que se estende a toda a exportação chinesa que contém produto siderúrgico (máquinas, equipamentos etc.).

A tragédia é que alguns “cientistas” estão convencidos de que esse é o resultado da eficiente produção de aço da China, da alta competitividade do setor e da fixação dos seus preços pelo “custo marginal”! E agora Trump quer que suas obras públicas só usem aço americano…

No Brasil apertamos o controle da poluição, aumentamos a regulação do mercado de trabalho e aplicamos ao setor, cujo processo de produção é longo, a maior taxa de juros real do mundo. Não satisfeitos, rejeitamos o “reintegra” e cobramos impostos até do descuidado consumidor mundial que quiser comprar nossos produtos!

(*) ex-ministro da Fazenda e escreve às quartas-feiras na Folha de S.Paulo – Opinião

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