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Tribuna Livre: O Brasil precisa mudar

Paulo Hartung (*)

29 de novembro de 2017

“Dialogar para construir consensos mínimos, em coalizões realistas ao redor do que é fundamental”

 Tomamos emprestado o conceito-chave do que muitos consideram a quarta revolução industrial – a chamada indústria 4.0 –, em que a internet das coisas e outras inovações revolucionam a maneira como produzimos e distribuímos bens e serviços, para afirmar que o Brasil precisa mudar urgentemente.

Enquanto muitos ainda insistem em uma agenda com cheiro de passado, ainda presos a um cipoal de preconceitos e labirintos ideológicos, uma parte do mundo já vai ensaiando o futuro alicerçado em parcerias apartidárias, multidisciplinares e público-privadas.

A fundação Lemann, entidade sem fins lucrativos instituída pelo empresário Jorge Paulo Lemann e seus familiares, acaba de prestar um belo serviço ao Brasil: em conjunto com a Escola de Governo Blavatnik, da Universidade de Oxford e da Universidade Yale, promoveu nos EUA o seminário Brasil Rising – uma nova gestão pública para um novo Brasil.

A heterogênea e interessante paleta de convidados, bem singular em seu ecletismo, deixou de lado o que nos separa a fim de debater – numa imersão de três dias de trabalho – o que precisa nos unir, para além da diversidade de opiniões e de cores político-partidárias.

O grupo também foi exposto a apresentações de cases de sucesso na modernização da máquina pública, particularmente na gestão de seus recursos humanos em países como Chile, Peru, Singapura, EUA e Reino Unido.

Destacamos as observações da reitora da Blavatnik, Ngaire Woods. Para ela, as sucessivas ondas de reformas administrativas, tanto no downsizing de Thatcher e de Reagan quanto no reinventing government de Gore, espelhavam experiências privadas bem-sucedidas, porém daquela época, mas que não necessariamente seriam replicáveis agora no setor público.

Para as circunstâncias atuais, alerta a professora, é melhor não repetir velhos equívocos e apostar em modelos novos que passem por “um choque de meritocracia” como antídoto ao que chamou de “servidores para sempre encastelados em berço esplêndido”. Trazendo para a gestão de recursos humanos no setor governamental, importa definir como se pode atrair, qualificar e manter recursos humanos eficientes e atentos ao que a sociedade espera.

Nosso encontro em Yale incluiu, também, a participação do professor William Ury, conselheiro de Harvard Negotiation Project e um dos mais renomados especialistas em negociação e mediação, com histórico de atuação tanto em situações de conflito entre países quanto em crises de relacionamentos de grandes acionistas e investidores de corporações privadas.

Ensina Ury que, no mundo VUCA (do acrônimo em inglês que descreve a anarquia multipolar que sucedeu ao maniqueísmo da Guerra Fria), temos que navegar em meio à volatilidade, à incerteza e à ambiguidade de uma realidade fluida e horizontalizada, sem hierarquias rígidas e, portanto, muito menos sujeita a controles.

Nesse contexto, tudo passa a ser negociado, todo o tempo, o que requer, como contraponto, as âncoras da consistência, da previsibilidade, da integridade e das competências. Essa a lição que trouxemos: dialogar para construir consensos mínimos, em coalizões realistas ao redor do que é fundamental e permanente, daquilo que de fato interessa ao Brasil e à maioria dos brasileiros.

Nesse cenário, aperfeiçoar nossos serviços públicos desponta como evidente prioridade, agora e no futuro, sem mais tempo a perder.

* economista e governador do Espírito Santo

Artigo publicado no jornal A Tribuna, na coluna Tribuna Libre – Vitória (ES) – em 29/11/2017

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