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Um novo turismo brasileiro

Marx Beltrão (*)

17 de abril de 2017

O Brasil cansou de ser o país do futuro. Não adianta sermos considerados o número um do mundo em atrativos naturais se não traduzirmos os nossos diferenciais em benefícios para a população, especialmente em emprego e renda.

O turismo é o setor em nosso país em que a diferença entre o potencial e o realizado fica mais nítida. Apesar de todos os nossos atrativos, o país recebe menos de 0,6% das pessoas que viajam pelo mundo e fatura apenas 0,4% do valor global movimentado por viagens.

Desenvolver de fato nosso potencial demandará entender de uma vez por todas que estamos incluídos num mercado muito acirrado, no qual os mais de 1,2 bilhão de turistas internacionais são disputados de forma agressiva pelos principais destinos do planeta.

Não tenho dúvidas de que o turismo reúne excelentes condições para ajudar o Brasil a enfrentar a crise. Essa certeza é fundamentada em fatos. Enquanto a economia mundial cresceu apenas 2,4% em 2016, o turismo avançou quase o dobro (4%). Graças a ele, Grécia e Espanha evitaram o colapso completo.

Conversei com empresários, presidentes de entidades representativas de classe, gestores públicos, especialistas e lideranças mundiais do setor. Tive acesso a uma gama imensa de estudos e relatórios que indicam o caminho.

Elaboramos o Brasil + Turismo, um pacote de medidas em defesa do setor. Na primeira fase, ele vai estimular o aumento da conectividade, por meio da abertura completa das empresas de transporte aéreo ao capital estrangeiro.

Ainda somos, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, um país fechado. Num ranking de 136 nações, estamos na 96ª posição no item abertura internacional.

Para atacar esse gargalo, vamos implantar o visto eletrônico para países estratégicos. Até o fim do ano, turistas dos EUA, do Canadá, do Japão e da Austrália conseguirão em até 48 horas a autorização de entrada. Tudo pode ser feito via internet, sem burocracia.

Estudo realizado pela Organização Mundial de Turismo e pelo Conselho Mundial de Viagem e Turismo concluiu que políticas de facilitação de vistos proporcionaram um aumento de até 25% no fluxo de visitantes.

O Brasil realizou duas experiências bem-sucedidas nos últimos anos: na Copa do Mundo e Olimpíada do Rio. Durante o mundial de futebol, faturamos US$ 1,58 bilhão, um incremento de quase 60% em relação ao mesmo período de 2013.

Durante Olimpíada e Paraolimpíada, o Brasil liberou vistos para turistas dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e do Japão. Esses estrangeiros deixaram US$ 167,7 milhões na economia nacional. Estimamos que a facilitação de vistos pode injetar até R$ 1,4 bilhão na economia nacional em dois anos.

Outra vantagem comparativa com o pacote Brasil + Turismo são as nossas orlas. Apesar de termos um litoral com 7,5 mil quilômetros, há uma série de restrições para o desenvolvimento de atividades nessas áreas.

O Ministério do Turismo e o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão formalizaram uma parceria que prevê a cessão de áreas turísticas e a criação ou regularização de empreendimentos privados nesses locais.

Para melhorar a experiência dos estrangeiros nos destinos nacionais, vamos trabalhar ainda na qualificação profissional, inclusive com envio de alunos brasileiros para cursos no Reino Unido.

Por último, mas não menos importante, estruturamos cinco medidas de gestão: a modernização da Lei Geral do Turismo; a atualização do Mapa do Turismo Brasileiro; a fiscalização do transporte turístico; a simplificação dos impostos para os parques temáticos; e o direcionamento de recursos para os órgãos estaduais da área.

As iniciativas irão corrigir a miopia histórica que o governo brasileiro teve em relação ao turismo. Isso será possível graças à sensibilidade do presidente Michel Temer. Um importante passo para fazermos o futuro chegar ao Brasil.

(*) Ministro do Turismo. Bacharel em direito, deputado federal licenciado pelo PMDB-AL

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo – Tendências e Debates – 17 de abril de 2017.

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