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‘Agora negociação é por trabalhadoras rurais’, diz Soraya Santos

Ae Broadcast

20 de abril de 2017

Deputadas Sheridan e Soraya Santos, presidente Michel Temer e as deputadas Gorete Pereira e Dulce Miranda

Foto por: Marcos Corrêa/PR

Brasília (DF) – A bancada feminina da Câmara dos Deputados conseguiu dobrar as resistências do governo e reduzir de 65 anos para 62 anos a idade mínima para aposentadoria das mulheres na proposta de Reforma da Previdência. Mas o acordo não pôs fim às negociações: as deputadas ainda querem discutir alterações nas regras para as trabalhadoras rurais.

“Temos que ver a questão das mulheres rurais também. Está sendo discutido. Se a gente tem dupla jornada, imagina as trabalhadoras rurais”, disse a coordenadora da bancada, deputada Soraya Santos (RJ). Pela proposta as mulheres que trabalham no campo poderão se aposentar com 60 anos (mesma idade de homens na mesma condição). Haverá uma transição de 10 anos para que a idade mínima – hoje cinco anos mais baixa – chegue aos 60 anos.

A seguir, a entrevista da coordenadora da bancada feminina:

Broadcast: Como a bancada conseguiu dobrar o presidente Michel Temer e garantir idade mínima diferenciada para as mulheres?

Soraya Santos: Todas as constituições até hoje fizeram essa diferença de idade. Nada mais, nada menos por conta da mulher brasileira ainda ter, infelizmente, dupla jornada. Esse é ponto central. Essa diferença foi feita para chamar a atenção de uma dívida que o Brasil tem com ele mesmo. Há uma necessidade de mudança cultural nas próprias famílias.

Broadcast: O acordo garante o compromisso de votos das deputadas da bancada feminina da base?

Soraya: O que temos colocado é que tínhamos vários pontos em relação à reforma. Entre eles, esse era um muito específico. Fizemos uma reunião com o presidente e argumentamos que havia uma interpretação errada pelo Executivo, achando que seria uma compensação social. Nunca foi uma compensação! Na verdade, foca a dupla jornada. O presidente compreendeu isso e apoiou a bancada.

Broadcast: Mas as deputadas vão votar a favor do relatório?

Soraya: Nós estamos vencendo vários pontos. Temos um movimento, sim, de atendimento, como a questão da desvinculação do salário mínimo do BPC, já foi atendido. Tínhamos a questão das professoras e já foi acolhido. Tudo está caminhando para que tenhamos um compromisso final de votação, mas ainda não tem 100%. Vamos ter uma reunião amanhã à tarde e teremos um panorama melhor.

Broadcast: O que falta para o compromisso?

Soraya: temos que ver a questão das mulheres rurais também. Está sendo discutido. Se a gente tem dupla jornada, imagina as trabalhadoras rurais.

Broadcast: Ter um regra diferente para as mulheres não é contraditório com o discurso de igualdade?

Soraya: Não é. Essa diferença é uma luta para fazer a inclusão da mulher. A gente sonha com o dia de poder votar a idade igual para mulher. Nesse dia, a mulher não estará mais com uma carga de trabalho maior do que a dos homens.

Adriana Fernandes (Broadcast)

A íntegra desta entrevista está publicada no Ae Broadcast – em 18 de abril de 2017. 

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