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“O PMDB terá candidato ao Planalto”, diz Padilha

Jornal Correio Braziliense

15 de maio de 2017

Ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha

Foto por: Marcelo Ferreira / CB / D.A Press

Brasília (DF) - Em processo de recuperação de uma cirurgia na próstata, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (RS), está mergulhado nas negociações para a aprovação da reforma da Previdência. Celebrando um ano de governo Temer, afirma que o sucesso da equipe econômica veio antes do esperado, embora admita o peso do desemprego na baixa avaliação da administração do peemedebista.

Tendo como elemento principal os 330 votos que considera consolidados na Câmara, vai mapeando quem de fato está com o governo no teste de fogo que virá: as mudanças nas regras da aposentadoria. 
 
Como tantos aliados do presidente Temer, inclusive colegas de Esplanada, Padilha também está envolvido na Lava-Jato, mas ele afirma que só falará sobre isso nos autos e que o governo tenta separar as coisas para conseguir governar. Padilha ressalta ainda que há dúvidas se Lula estará em condições de se candidatar ano que vem e adianta: “O PMDB terá candidato a presidente da República”. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Correio, na última sexta-feira, no Palácio do Planalto.
 
Correio – Quais os pontos positivos deste um ano de governo?
 
Eliseu Padilha – Dois pontos são dignos de registro. O presidente Michel Temer conseguiu manter um relacionamento singular com o Congresso Nacional, que lhe deu uma base de 411 deputados, dos quais 330 votam com o governo. Todos os projetos encaminhados ao Congresso foram aprovados. Ponto número dois é o sucesso da parte econômica do governo.
 
Correio – O que isso rendeu?
 
Eliseu Padilha – Estamos com a inflação abaixo da meta, juros caindo rapidamente para um dígito, dólar caindo e o real se valorizando, Bovespa com números singulares, quase 68 mil pontos. E as ações de Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil com avaliação surpreendente. Neste primeiro ano, o sucesso da área econômica do governo está além do esperado.
 
Correio – Se de fato já há indícios de retomada da economia, por que a avaliação do governo ainda é tão baixa?
 
Eliseu Padilha – Essas informações não chegam ao João, ao José, ao povo. Quando tivermos reversão do desemprego, teremos crescimento no apoio ao governo.
 
Correio – Mas algumas agências dizem que o nível de emprego só melhora em 2019.
 
Eliseu Padilha – Mas se vai consolidar até 2019, até lá vai ter crescimento. Na medida em que a população for sentindo que estão crescendo emprego e todas as atividades comerciais e empresariais também, ela vai vendo que melhorou. E a avaliação do governo começará a melhorar.
 
Correio – Não ser popular ajuda a implementar medidas amargas?
 
Eliseu Padilha – Não. Como hoje o governo não tem uma boa avaliação, temos que trabalhar muito os parlamentares. Eles têm de dar muita explicação.
 
Correio – O governo vai ter o teste de fogo da base na reforma da Previdência. O Planalto queria votar tudo até 30 de junho. O calendário está mantido?
 
Eliseu Padilha – O governo tinha a pretensão de aprovar, até 30 de junho, toda a reforma da Previdência. Temos de ter certeza de aprovar nos dois turnos na Câmara no primeiro semestre e tentar encaminhar ao Senado para aprovação também.
 
Correio – O PMDB não tem tradição de fechar questão em votações. Vai fechar na Previdência?
 
Eliseu Padilha – Chegou o momento de o PMDB dar testemunho forte de que é governo. Eu acredito que o PMDB vai, sim, fechar questão.
 
Correio – Ser o maior partido da coalizão tem mais ônus do que bônus?
 
Eliseu Padilha – Partido que tem o presidente da República tem que ter mais responsabilidade pela manutenção e sustentação do governo.
 
Correio – No caso da reforma da Previdência, a demora aproxima a votação da eleição do ano que vem. Como separar isso?
 
Eliseu Padilha – Tem que se conscientizar dos avanços que ocorreram na reforma. Todas as solicitações que chegaram ao relator, na medida do possível, foram atendidas. Nós precisamos da reforma para dar a esses parlamentares a certeza de que a população estará mais segura com a reforma do que sem ela. Ela é feita para garantir a aposentadoria de quem já está aposentado e dos que vierem a se aposentar.
 
Correio – Ainda há espaço para mudanças no texto?
 
Eliseu Padilha – Enquanto o tema se encontra no parlamento, há condições. O governo, no entanto, entende que chegou ao limite em que pode fazer concessões. Estamos em 75% do que prevíamos de economia na mensagem inicial. O número de R$ 800 bilhões (de economia) já caiu para R$ 600 bilhões. Temos que segurar nesse valor, sob pena de prejudicarmos nosso ajuste fiscal.
 
Correio – O governo conseguiu reverter a batalha da comunicação na Previdência?
 
Eliseu Padilha – Começamos a reverter o que eram as informações falaciosas. Tínhamos que multiplicar a capacidade de transmitir informação para deputados e senadores para que pudessem contestar fatos narrados que não tinham procedência. Por exemplo, dizer que essa reforma veio para tirar direitos. Falou-se que, para se aposentar, o sujeito teria de trabalhar 49 anos. Em nenhum momento foi dito isso. O que se dizia era que teria de ter um número de anos de contribuição para se aposentar. Isso só vai acontecer daqui a 20 anos.
 
Correio – Vocês respiraram mais aliviados com a presença do Renan Calheiros na reunião dos senadores do PMDB com o presidente Miche Temer?
 
Eliseu Padilha – Sempre tivemos a certeza de que ele estaria com o partido, mais dia, menos dia. Nós temos deixado claro que isso era indispensável e insistíamos na presença dele, e ele correspondeu.
 
Correio -Tem espaço para mudar a reforma no Senado?
 
Eliseu Padilha – Temos procurado falar muito com os senadores. E a ideia é que tenhamos a mesma postura que tivemos na reforma trabalhista. Fazer as mudanças na Câmara e, depois, se for necessário, promover mudanças em uma medida provisória. Como estamos em um ano pré-eleitoral, todo atraso na tramitação é praticamente irrecuperável. Tudo se fará para ganhar tempo.
 
Correio – O governo não teve 330 votos para aprovar a reforma trabalhista.
 
Eliseu Padilha – Olha o número de ausências. Temos, normalmente, 330 votos. Não exigia quórum qualificado.
 
Correio – Como vocês vão trabalhar para vencer resistências, como a do PSB, por exemplo?
 
Eliseu Padilha – Vamos trabalhar por partido. O PSB é uma bancada dividida. Temos relação direta com a liderança do PSB e os deputados, buscando convencê-los de que, sendo governo, eles precisam votar com o governo. E que tem um dos mais importantes ministérios, o de Minas e Energia, onde o ministro Fernando Bezerra Filho tem tido um excepcional desempenho.
 
Correio – Como está sua planilha de votos?
 
Eliseu Padilha – Está crescendo. Eu parto dos 330 e, a partir daí, vamos vendo com quem não contamos ainda. Está bem próximo do número necessário, dos 308 votos. Neste momento, para nós, vazar números não é um pouco interessante. Mas estamos bem.
 
Correio – Só vai para plenário quando vocês tiverem certeza da aprovação?
 
Eliseu Padilha – Certeza você sabe como é, né? Mas quando estivermos convicção de aprovação.
 
Correio – A Lava-Jato continua reocupando o governo?
 
Eliseu Padilha – Lava-Jato e governo são processos diferentes. Processo de governar é do Executivo e a questão da Lava-Jato cabe à Justiça Federal, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal fazer as apurações e julgar. Estamos trabalhando como se não tivesse nenhum tipo de óbice em decorrência da Lava-Jato.
 
Correio – Mas como está a pressão m relação ao núcleo duro o governo?
 
Eliseu Padilha – Eu tenho um compromisso de só falar sobre Lava-Jato nos autos do processo, por intermédio dos meus advogados.
 
Correio – Em entrevista anterior ao Correio, quando o PMDB assumiu a articulação política o governo, havia a ideia de  partido romper com o PT pós as eleições municipais para ter candidato próprio m 2018. O PMDB, agora,  governo. Terá candidato em 2018?
 
Eliseu Padilha – Sem dúvida nenhuma. Pergunte ao presidente Romero Jucá que ele vai dizer que o PMDB terá candidatura própria à presidência da República.
 
Correio – Falar isso neste momento ão atrapalha a relação om o PSDB?
 
Eliseu Padilha – O PSDB também está dizendo que vai ter candidatura. A pergunta pode ser invertida. A relação com o PMDB ficaria mal por que o PSDB está dizendo que vai ter candidatura própria? Não.
 
Correio – Henrique Meirelles (ministro a Fazenda) é um nome?
 
Eliseu Padilha – Pode ser, por que não? Embora hoje seja mais difícil porque ele não é do PMDB.
 
Correio – O presidente Michel Temer mantém a disposição de não ser candidato ou já colocou um “não sou candidato, mas…”?
 
Eliseu Padilha – Ainda não.
 
Correio – Qual sua opinião sobre as regras que valerão para a eleição do ano que vem?
 
Eliseu Padilha – Tudo indica que teremos financiamento público.
 
Correio – Com lista fechada ou aberta?
 
Eliseu Padilha – Penso que, nesse particular, a eleição não vai mudar, vai continuar sendo pelo sistema proporcional. As coincidências de vontades não acontecem muito neste sentido.
 
Correio – E o que pode ser aprovado?
 
Padilha – O que a gente tem ouvido: fim de coligações nas eleições proporcionais, cláusula de desempenho e fim da reeleição.
 
Correio – Com extensão do mandato para cinco anos?
 
Eliseu Padilha – Não falaram.
 
Correio – Qual a explicação para que  ex-presidente Lula ainda e apresente como um andidato altamente competitivo?
 
Eliseu Padilha – Pesquisa sempre é um retrato do momento.
 
Correio - Lula estará no páreo em 2018?
 
Eliseu Padilha – Ele tem se declarado candidato. Hoje, teria condições de ser. Não sei se terá em 2018.
 
“O governo entende que chegou ao limite em que pode fazer concessões. Estamos em 75% do que prevíamos de economia na mensagem inicial. O número de R$ 800 bilhões (de economia) já caiu para R$ 600 bilhões”
 
“Na medida em que a população for sentindo que estão crescendo emprego e todas as atividades comerciais e empresariais também, ela vai vendo que melhorou. E a avaliação do governo começará a melhorar”
 
Denise Rothenburg e Paulo de Tarso Lyra (Correio Braziliense)
 
Entrevista publicada no jornal Correio Braziliense – em 15 de maio de 2017

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